Política
O "QI elevado" de Trump e a regulação da Inteligência Artificial
O presidente dos EUA recusa avançar com qualquer tipo de controlo ou definição de regras para a Inteligência Artificial (IA). "O único controlo ou mecanismo de proteção de que a IA precisa é de um PRESIDENTE FORTE E INTELIGENTE (com QI elevado!), e os EUA têm isso de sobra!", escreve Donald Trump. Estas palavras têm como pano de fundo dois factos: a queda dos gigantes tecnológicos na bolsa norte-americana, esta segunda-feira, por um lado. Por outro lado, a preocupação dos homens que lideram o desenvolvimento da IA e que agora defendem que a indústria deve procurar uma forma de auto-regulação.
Esta segunda-feira, as empresas tecnológicas dos EUA registaram quedas até dez por cento, na abertura das principais bolsas de valores norte-americanas.
Tendo em conta os valores astronómicos que estão a ser investidos no potencial da IA, os investidores querem saber como é que o ritmo vai ser abrandado e qual vai ser a reação dos governos.
Para já, a fazer fé nas palavras de Trump, a Casa Branca entende que está tudo bem e não é necessário qualquer controlo ao desenvolvimento da IA. "Já temos um enorme poder PENAL e REGULATÓRIO sobre estas empresas!”, escreve hoje o presidente norte-americano.
"Há uma conspiração DOENTIA em curso contra a IA e os centros de dados, e a única que está feliz com isso é a China.
QUEM VENCER NA IA, VENCE!
Estamos à frente da China e de todos os outros, e assim continuaremos.
Teóricos da conspiração, traidores da pátria e informadores de informação: CUIDADO!”
É precisamente “cuidado” que pedem os senhores responsáveis pelo atual desenvolvimento da Inteligência Artificial.
Para Altman há dois cenários a evitar: a possibilidade de a humanidade "perder o controlo do futuro para a IA" e a criação de um mundo com "concentração excessiva de poder".
A demissão de um jovem investigador da Anthropic no dia 9 de setembro desencadeou um debate sobre quando é que a IA poderá extinguir a civilização e como evitar isso.
De acordo com a publicação digital The Information, especializada no setor tecnológico em Silicon Valley, a ideia não é nova. Desde julho que a OpenAI, a Anthropic e a Google discutem como criar um organismo que estabeleça normas para a indústria da Inteligência Artificial.
No entanto, apesar de pedirem mais auto-regulação, as empresas líderes dos EUA querem a ajuda da Administração Trump para que estes limites sejam globais. “Onde vamos precisar da ajuda do nosso governo é na coordenação internacional”, defende o líder da OpenAi.
Outra opinião que tem marcado a discussão nas últimas horas é a de Satya Nadella, CEO da Microsoft. “Vemos com bons olhos a investigação, a concentração de esforços e o ritmo ponderado”, escreveu nas redes sociais.
“O ponto fundamental é que isto não pode ser controlado por um punhado de atores; deve contar com uma representação ampla de todo o ecossistema, abrangendo diferentes países e áreas, incluindo o meio académico”, acrescenta o líder da Microsoft.
Alguns nomes importantes no desenvolvimento da IA
Os principais rivais são duas empresas especializadas no desenvolvimento de modelos de Inteligência Artificial: a OpenAI e a Anthropic.
A OpenAI foi fundada em 2015. É a empresa por detrás do ChatGPT e é liderada por Sam Altman.
A Anthropic foi fundada em 2021 por ex-funcionários da OpenAI que abandonaram a empresa após divergências sobre a visão e a segurança. É a empresa responsável pelo assistente de IA Claude.
Elon Musk é outro nome de peso no setor. Desenvolveu o chatbot Grok através da empresa, a SpaceXAI.